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sábado, 12 de novembro de 2011

Às vezes funciona..






É difícil me iludir porque não costumo esperar muito de ninguém.
Odeio dois beijinhos, aperto de mão, tumulto, calor, gente burra e quem não sabe mentir direito.
Não puxo saco de ninguém, detesto que puxem meu saco também.
Não faço amizades por conveniência, não sei rir se não estou achando graça,
não atendo o telefone se não estou com vontade de conversar.



Caio Fernando Abreu









domingo, 24 de abril de 2011

Ah, eu penso..


Penso em você apesar de não sentir sua falta 
e muito menos sua presença. 
Penso em você porque sinto um vazio, 
que eu não sei do quê e nem por quê. 
Revelo, então, mais uma vez, minha estupidez,
já que não é você quem vai me salvar 
e nem muito menos me catapultar pra uma dimensão
mais tranquila e menos ansiosa de coisas que não têm nome.

Caio F. Abreu





quinta-feira, 10 de março de 2011

Incógnita..

  Não me aproximo porque, veja bem, sabe lá quem habita a tua solidão.
Hesito. Recuo. Me afasto tristíssima. E te imagino em poses e sorrisos, voz grave e cabelos desgrenhados, preso nas minhas fantasias mais loucas e movimentadas. Numa delas sou um bichinho invisível, com asas, que adentra tua casa e te observa em segredo. Faço o contorno do teu corpo todo com os olhos, parada contra a parede do teu quarto, imóvel, enquanto tu te atiras na cama. Cansado. Tu olhas para o teto, imaginando mil coisas, memórias, compromissos, desejos, saudades. Te fito com dor. A luz do abajur faz sombra na tua pilha de livros, que folheei um dia e quis pedir emprestado mesmo sabendo que não havia intimidade para pedidos. Por razões que desconheço, nossas aproximações foram sempre pela metade. Interrompidas. Um passo para a frente e cem para trás.
Retrocessos. Descaminhos.

Procuro sinais de algum amor teu. Vestígios de noites passadas.
Tu não me vês, estou incógnita a te observar. Como sempre estive,
olhando pelas janelas, de longe, coração apertado.
Nós poderíamos ser amigos e trocar confidências.

Assistiríamos a filmes, taça de vinho nas mãos, e tu me detalharias as tuas paixões e desatinos. Nós poderíamos ser amantes que bebem champanhe pela manhã aos beijos num hotel em Paris. Caminharíamos pela beira do Sena, e eu te olharia atenta, numa tentativa indisfarçável de gravar o momento e guardá-lo comigo até o fim dos meus dias. Ou poderíamos ser apenas o que somos, duas pessoas com uma ligação estranha, sutilezas e asperezas subentendidas, possibilidades de surpresas boas.
Ou não. Difícil saber. Bato minhas asas em retirada.
Tu dormes, e nos teus sonhos mais secretos, não posso entrar. Embora queira.
À distância, permaneço te contemplando. E me pergunto se, quem sabe um dia,
na hora certa,
nosso encontro pode acontecer inteiro. Porque tu és o único que habita a minha solidão.




Caio F. Abreu





quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Não mesmo!






                                       Às vezes é melhor sumir.
E ver quem aparece.


quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Um conselho..



Ouça aqui, mocinha.
Não fique pensando que o mundo lhe pertence não.
Não caia nessa onda. E outra coisa – não se esforce.
Pelo o menos não tanto.
Não fique ai remando contra a maré, dando murro em ponta de faca.
Veja – se não fora pra ser, não vai ser.
Acredite em mim.Coisa boba essa sua tentativa de ir além.
E olhe, eu não estou pedindo pra você desistir não, não é isso.
Eu só quero que você pense mais, que leia mais.
Que tenha argumentos melhores.
Você está muito nova ainda. Cresce!

Caio F. Abreu