domingo, 24 de abril de 2011




O que tenho, nesse instante, é um sabor inédito de beijo, 
um novo número de celular para adicionar na minha agenda,
uma cor de olhos que não sei definir com precisão,
um corpo que se encaixa no meu e uma conversa que me mantém fascinada.


Martha medeiros







Ah, eu penso..


Penso em você apesar de não sentir sua falta 
e muito menos sua presença. 
Penso em você porque sinto um vazio, 
que eu não sei do quê e nem por quê. 
Revelo, então, mais uma vez, minha estupidez,
já que não é você quem vai me salvar 
e nem muito menos me catapultar pra uma dimensão
mais tranquila e menos ansiosa de coisas que não têm nome.

Caio F. Abreu





terça-feira, 19 de abril de 2011

Olhe, olhe sempre..



Se te pareço noturna
e imperfeita
Olha-me de novo.
Porque esta noite
Olhei-me a mim,
como se tu me olhasses
E era como se a água
Desejasse...




Hilda Hilst





terça-feira, 22 de março de 2011




Olhe, tenho uma alma muito prolixa e uso poucas palavras.
Sou irritável e firo facilmente.
Também sou muito calmo e perdôo logo.
Não esqueço nunca.
Mas há poucas coisas de que eu me lembre.

            Clarice Lispector








quarta-feira, 16 de março de 2011

Tempo é tudo..



Depois de algum tempo você aprende a diferença, a sutil diferença,
entre dar a mão e acorrentar uma alma.
E você aprende que amar não significa apoiar-se,
e que companhia nem sempre significa segurança.
E começa a aprender que beijos não são contratos e presentes, não são promessas.
E começa a aceitar suas derrotas com a cabeça erguida e olhos adiante,
com a graça de um adulto e não com a tristeza de uma criança.
 E aprende a construir todas as suas estradas no hoje,
porque o terreno do amanhã é incerto demais para os planos,
e o futuro tem o costume de cair em meio ao vão...

 William Shakespeare 

 




quinta-feira, 10 de março de 2011

Incógnita..

  Não me aproximo porque, veja bem, sabe lá quem habita a tua solidão.
Hesito. Recuo. Me afasto tristíssima. E te imagino em poses e sorrisos, voz grave e cabelos desgrenhados, preso nas minhas fantasias mais loucas e movimentadas. Numa delas sou um bichinho invisível, com asas, que adentra tua casa e te observa em segredo. Faço o contorno do teu corpo todo com os olhos, parada contra a parede do teu quarto, imóvel, enquanto tu te atiras na cama. Cansado. Tu olhas para o teto, imaginando mil coisas, memórias, compromissos, desejos, saudades. Te fito com dor. A luz do abajur faz sombra na tua pilha de livros, que folheei um dia e quis pedir emprestado mesmo sabendo que não havia intimidade para pedidos. Por razões que desconheço, nossas aproximações foram sempre pela metade. Interrompidas. Um passo para a frente e cem para trás.
Retrocessos. Descaminhos.

Procuro sinais de algum amor teu. Vestígios de noites passadas.
Tu não me vês, estou incógnita a te observar. Como sempre estive,
olhando pelas janelas, de longe, coração apertado.
Nós poderíamos ser amigos e trocar confidências.

Assistiríamos a filmes, taça de vinho nas mãos, e tu me detalharias as tuas paixões e desatinos. Nós poderíamos ser amantes que bebem champanhe pela manhã aos beijos num hotel em Paris. Caminharíamos pela beira do Sena, e eu te olharia atenta, numa tentativa indisfarçável de gravar o momento e guardá-lo comigo até o fim dos meus dias. Ou poderíamos ser apenas o que somos, duas pessoas com uma ligação estranha, sutilezas e asperezas subentendidas, possibilidades de surpresas boas.
Ou não. Difícil saber. Bato minhas asas em retirada.
Tu dormes, e nos teus sonhos mais secretos, não posso entrar. Embora queira.
À distância, permaneço te contemplando. E me pergunto se, quem sabe um dia,
na hora certa,
nosso encontro pode acontecer inteiro. Porque tu és o único que habita a minha solidão.




Caio F. Abreu





quarta-feira, 2 de março de 2011

E que dure pra sempre..



 
Que não seja imortal,
posto que é chama,
mas que seja infinito
enquanto dure.


Vinícius de Moraes